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Esposende está, mais uma vez, na linha da frente no que diz respeito aos temas que dominam a atualidade. É o caso das alterações climáticas e das políticas municipais em implementação nesse domínio.

No seminário subordinado à temática “Alterações Climáticas e Recursos Hídricos”, que hoje se realizou no Hotel Ofir, em Fão, Esposende, os oradores convidados a partilhar as suas experiências profissionais e os seus conhecimentos técnicos e científicos, apresentaram as maiores preocupações relativamente a um problema que se adensa, abordando também as diferentes estratégias em curso no sentido de melhor se conhecerem e de se minimizarem todos os problemas que, no território, ocorrem por força das alterações climáticas.
Com cerca de 200 participantes, maioritariamente técnicos, a plateia teve a particularidade de também receber os alunos de uma turma da Escola Profissional de Esposende e, ainda, cerca de 80 alunos da Escola EB 2 e 3 António Rodrigues Sampaio, de Marinhas, que participaram no Seminário com todo o interesse e empenho, tendo sido realçada a relevância desta participação na medida em que serão estes jovens os decisores do futuro. E a sua sensibilização e envolvimento por estas temáticas são fundamentais.
A mesa redonda que encerrou a iniciativa reuniu os presidentes das Câmaras Municipais de Esposende, Benjamim Pereira, de Viana do Castelo, José Maria Costa e de Caminha, Miguel Alves e, ainda, Pimenta Machado, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente.
O presidente da Câmara Municipal de Esposende destacou os bons resultados da gestão da Polis Litoral Norte, entidade responsável por inúmeros projetos e intervenções no litoral, na sua maioria realizadas com o intuito de minimização do efeito das alterações climáticas e de adaptação nesse mesmo contexto.
Apontou ainda, na sua intervenção, as virtualidades de uma das obras mais emblemáticas em curso, a do canal intercetor em construção: “Já produziu efeito, pois no passado fim de semana registaram-se inundações em vários locais do país, particularmente nesta região do Minho e, em Esposende, esta obra estruturante já fez o seu papel, acomodando toda a água da forte pluviosidade que se fez sentir”, afirmou Benjamim Pereira.
Pimenta Machado defendeu que a grande aposta tem de assentar na “prevenção, evitando erros do passado, na proteção e no recuo planeado. Se há município onde foi conseguido o recuo planeado em clima de tranquilidade social foi em Esposende, em S. Bartolomeu do Mar, um processo de sucesso a todos os níveis”.
Já o autarca de Caminha apontou a necessidade de “informar as pessoas sobre os riscos que correm com as alterações climáticas e das implicações económicas que daí resultam”.
Por seu turno, José Maria Costa defendeu que o debate sobre as alterações climáticas “seja feita dentro da comunidade política”, apontando a perda de conhecimento decorrente da extinção de instituições, como a Polis Litoral Norte, sempre que são mudadas as estruturas organizativas.
A encerrar o debate, e na mesma linha de pensamento, Benjamim Pereira defendeu a “continuidade do trabalho em rede, envolvendo os três municípios”. “Foram realizadas obras importantíssimas para as comunidades piscatórias de Caminha, Viana do Castelo e Esposende”, referiu o autarca de Esposende.
Na abertura do seminário, a vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, Alexandra Roeger lembrou a “vulnerabilidade do território de Esposende”, mas recordou o consenso “científico-político” existente, na prossecução dos programas de defesa e de adaptação às alterações climáticas, nomeadamente aquelas que se encontram em realização no território e que envolvem as linhas de água.
Luís Macedo, secretário executivo da CIM Cávado, reconhece que Esposende “está a desenvolver um trabalho pioneiro na resolução de um problema que obriga a ser pensado. Normalmente somos lentos a reagir, mas Esposende reagiu rápido”.
Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas, abordou, numa perspetiva histórica, a evolução de vários indicadores relevantes, como os volumes de precipitação e as alterações de temperatura, alertando para a necessidade de repensar as estratégias de gestão da água e da energia.
Inês Andrade, diretora regional da ARH-Norte, elencou os investimentos feitos nos últimos anos visando ultrapassar as fragilidades na gestão do território. “Estão em curso obras no valor de três milhões de euros. Em 2020 arrancarão outras obras no valor de 5 milhões de euros, para além das obras já realizadas, no valor de 41 milhões de euros, entre 2014 e 2019”.
Tomaram também a palavra como protagonistas do Seminário os oradores Jaime Melo Batista, do LNEC, Frederico Fernandes, da Águas do Porto, Alexandra Giraldes, da Águas de Cascais, Cristiana Barbosa, da Águas do Norte, Eduardo Vivas, da APRH, Sandra Sarmento, do ICNF, Taveira Pinto, da FEUP, Renato Henriques, da Universidade do Minho e, ainda, Pedro Teiga.
Este seminário insere-se no âmbito do projeto do Município de Esposende “E-Ribeiras: comunicar, divulgar e sensibilizar para as alterações climáticas”, financiado pelo POSEUR, através da medida “Apoio ao Investimento para a Adaptação às Alterações Climáticas”, e cuja implementação está a ser acompanhada/coordenada pela Esposende Ambiente.
Esta postura enquadra-se nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas, com especial realce para o ODS 13 – Ação Climática.